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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

ESFIHA E CIA



O tempo foi passando é muito bom ser adulta, adulta no sentido mais viceral da palavra, com mais de vinte anos eu já morava sozinha, tinha os meus tropeços, as contas atrasadas eram uma constante, mas poder chegar sossegada em casa e não ter ninguém pra pegar no seu pé reclamando da louça suja ou da calcinha pendurada no registro do chuveiro.. Ah, meus amigos, isso não tem preço! As contas de água, luz, aluguel, internet, etc, essas sim tem preço, puts, cada vez mais caro, ninguém merece... e em um país de terceiro mundo como é o qual que vivo, o saldo do fim do mês é sempre nulo (ao menos o meu...) Enfim...



Mesmo com tanto choque da realidade adulta a diversão existia, a pequena cidade onde eu vivia foi crescendo lentamente, eu tinha a impressão que não acontecia nada que valesse á pena o comentário, numa dessas tentativas de crescimento, um empresário de outra cidade, abriu uma enorme danceteria em uma das praias, o lugar era enorme, lindo, todo em rakan, com uns 10 espaços de bares, “amassódromo”, pista de dança, bem bacana, não perdendo nada para as “baladas” da Capital, onde tem os melhores pontos de diversão do mundo, realmente o investimento foi grande.


Demorei para conhecer o afamado local, mas depois da primeira vez que fui, tornei-me “habitue”, certa noite fui com uma amiga pra lá, fervemos na pista, em um dos bares externos vi um protótipo de Deus grego, um ser alto, loiro, olhos azuis, sem camiseta, obviamente querendo mostrar o peito largo de musculação, carinha de anjo, tremenda tentação, minha amiga foi rápida em localizar e eu mais rápida ainda em laçar o “baby” – papo rápido, dezoito aninhos (puts, papar feto é crime?), me apresentei e apresentei a amiga, conversamos um pouco e fomos todos dançar, já disse á vocês o quanto adoro dançar? É a segunda melhor coisa do mundo... Dançamos todos juntos e eu dançava pra ele, o seduzi, me sentia a própria serpente, que sensação boa, hipnotizando o pirralho, sem dor na consciência, ele chegou perto e me beijou, realmente não deve treinar tanto beijos quanto treina na academia, ficou devendo... Dançamos mais um pouquinho, o bichinho queria me “amassar” num canto escuro da danceteria, tremendo “mico” , fui colocando barreiras e o pivete ficando cada vez mais excitado, cansei daquela babação, avisei que estava indo ao banheiro e dei um perdido no anjinho de olhos azuis, não andava com saco pra “ensinar”, já queria algo completo e como ali não rolava nada além de uns babacas bêbados e uns pirralhos se achando homens porque andam com camisinha no bolso (e não usam!) convoquei minha amiga para nos retirarmos, ela aquieceu ao meu pedido e em dois minutos estávamos fora de lá, meus pés doíam e imaginei o quanto seria bom ter uma carona ou um carro, embora a danceteria não fosse realmente longe de casa, andar de salto fino por muito tempo, me mata, aliás, mata qualquer mulher, mas que mulher é mulher sem um belo salto? Ficamos minimamente poderosas!


Enquanto pensava na minha falta de sorte, minha amiga resmungava algo que eu não prestava atenção, apenas concordava, afinal das contas ás três da madrugada, completamente cansada, não discuto com ninguém, concordo com tudo... Em meio as minhas divagações havistamos dois sujeitos, engraçadinhos em um carro escuro, parecia que tentavam dar carona pra duas mocinhas naquela idade “doida-pra-dar-mais-não-sabe-pra-quem” sabem como é? Pois é, aquela negação, aquela risadinha, “Ah, eu não pego carona...’ doida pra pegar, doida pra se perder... Aquela hora da madruga, cansada e com os pés doendo, imaginei que minimamente deveria estar horrorosa e que de fato sem o mínimo atrativo, naquele momento esqueci que uma mulher é muito mais que uma aparência e as vezes tenho o incrível senso de quando não me sinto linda, maravilhosa ou gostosa, torno-me minimamente sagaz e provocadora, homens inteligentes adoram, “ai Meu Deus” , homem inteligente, que tristeza, sempre em extinção! E além do que, eles também estavam meio sem escolha, rsrs - Enfim, os caras quando nos viram, vieram com a mesma tentativa, sorri amistosa, mas não era prudente pegar carona às três da madrugada com dois desconhecidos, comecei á interroga-los e tive a grata surpresa de saber que eram nativos, moravam na minha cidade! Embora nunca os tivesse visto a explicação era clara, moravam em um bairro afastado, em cinco minutos ficha completa, um trabalhava numa marcenaria na cidade vizinha... era feinho, tinha cara de bobo e todas as barbaridades que soltávamos ria-se feito um tolo, sem expressar opinião de nada, já o outro era um moreno de porte médio, cabelo curto, cara sisuda, numa de nossas piadas de fim de noite soltou um sorriso incrível, que lindo sorriso era aquele! Não era tão belo quanto o bebê de olhos azuis que eu tinha “catado” uma hora antes, mas era interessante, falava coisas práticas mostrou sagacidade e um certo cinismo que me encantou, aceitamos a carona, viemos conversando amenidades e o moreno contou que trabalhava há dois anos em um supermercado grande da cidade, e na segunda-feira retornaria das curtas férias, senti pena e me identifiquei de cara, eu havia voltado ao batente também naquela semana e já pensava nas próximas férias... tentação.


Eles nos trouxeram cordeiramente até em casa, realmente fui com a cara deles e os convidei á entrar, fiz um suco pra todos e ficamos falando bobagens, filmes, lendas urbanas, todo tipo de besteira sem conteúdo que se conversa em fins de noite. O moreno sentou-se ao lado da minha amiga e o feinho do meu lado, tanto o feinho quanto minha amiga riam das pequenas provocações que fazíamos um pro outro, havíamos ali começado um pequeno jogo, de sedução e repulsa, um jogo interessante e ao mesmo tempo perigoso, nos provocamos ao extremo e jurei que estávamos de mal pra sempre e comecei a torcer para eles se tocarem e irem embora, mas como isso não ocorria gentilmente os convidei para tomarem o rumo de suas residências, eles riram e continuaram em casa...


TO BE CONTINUE (continuo contando na semana que vem…)

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